29 de junho de 2006

QUEM MEXEU NO MEU QUEIJO (DE MINAS)

Durante o jogo do Brasil, gabo o estilo da equipa perante os protestos da progenitura: "Desde que voltaste de lá que estás mais... "brasileiro".
Não sei por que diz isso. Só porque estou a terminar um romance que fala desse país continente, enquanto na minha mesa repousa um Guaraná Antártica, um mapa (danificadíssimo) do mesmo país e nos auscultadores toca a guitarra caipira de Helena Meirelles... É má vontade, no mínimo.
Na verdade, o que eu fiquei foi um tiquinho "maior". Mas isso não dá para ver ;)

28 de junho de 2006

É URGENTE O AMOR . À ARTE

Ontem, por mero acaso, visitei a Fnac à hora do lançamento do livro "Retrovisor - Uma biografia musical de Sérgio Godinho", do Nuno Galopim. Não cheguei a tempo da apresentação, mas ainda pude cumprimentar um dos meus raros ídolos. Devo-lhe horas de alegria infindáveis há mais de vinte anos (pensando bem..., bem mais de vinte anos, god damn it!). Foi o poeta dos anos 80 e cada palavra que fez o favor de nos cantar continua a fazer o mesmo sentido.
O livro é lançado pela Assírio, outra das editoras a quem devemos a melhor poesia (para não mencionar em edições antigas, o Mishima e por aí fora, no campo da prosa). Não estava lá a multidão que parece ter-se acotovelado uns dias antes por um autógrafo da Floribela, ou lá como é que se chama a rapariguita das novelas.
Por isso mesmo, é preciso abraçar os bons. E aqueles que gostam dos bons. Os que distinguem entre o hamburguer enfiado pela boca abaixo pela televisão e a obra original. Seja na literatura, na música ou noutra arte qualquer.
Seria tudo mais simples se a minoria dos que perdem tempo a escutar o mundo se unisse, passasse palavra e se mobilizasse para ir "lá" cumprimentar, dar um abraço, dizer ao artista que não está sozinho...


25 de junho de 2006

OS JOGOS

Lá passámos. À batatada e corridos a cartões do homem de amarelo, é certo.
Nas ruas, toca a buzinar e a correr para o Marquês de Pombal (rotunda do centro de Lisboa).
Apesar do jogo ter sido muito pouco jogo, ainda assim foi uma vitória. Por uns dias, Portugal vai levantar uns centímetros da calçada.
Vamos.

22 de junho de 2006

O CAMPEONATO

Claro que torço por Portugal como toda a gente. Mesmo pela nossa Estrelita Merchiana, que joga sozinho e adora o som das vozes excitadas com a sua corrida.
E sem perceber um boi de futebol, salta-me à vista o trabalho do treinador. A forma organizada como o gaúcho meteu os craques lusitanos a jogarem entre si.
Se aí no Brasil ainda há quem acredite que os portugueses não amam os brasileiros, desenganem-se: mais uma passagem de fase no mundial e vamos andar todos com um gigantesco "S" na camisola
;)
SEM NET

Olá a todos. Com a maldição da net caída sobre os ombros, não tenho podido escrever aqui nada. Nem ler os vossos comentários.
Acrescente-se a isto, a pilha de nervos, por ter assinado contrato com uma produtora louca que ganhou um subsídio (sabe Deus como) para um filme e que insiste em querer reavivar o pavoroso cinema português dos anos 80 ("Actriz para isto era a Victoria Abril... ou talvez uma Assumpta Serna..."), e compreenderão como fico agradecido por ver as vossas palavras simpáticas.
O LIVRO DA GLÓRIA começou a ser escrito há vários anos (o que me dá vontade de rir, antecipada, porque alguns dos temas tratados, explodiram nos últimos tempos e não faltará quem os considere "copiados da realidade actual" :) Enfim... A literatura é isto mesmo: o tempo perde a sua linearidade e acabamos todos por ser Paulos Cardosos involuntários, lol).
Espero que gostem e que ele saia a tempo...
Se a maluca não me enlouquecer entretanto, claro.

14 de junho de 2006


AO PRINCÍPIO ESTRANHA, DEPOIS...

"O Presidente da República, Cavaco Silva...", estava eu a ler no Público. Achei a frase esquisita...
Mas calculo que com o tempo a gente se habitue.
Como quando se mete o pé numa poça de chuva e ficamos com as peúgas molhadas o dia todo...

12 de junho de 2006

AGORA A MINHA FEIRA PESSOAL :)
(SÓ UM LANÇAMENTO E PRONTO)

Para os meus cinco leitores interessados, estou a terminar o meu próximo romance. A sair em Outubro.

"O Livro da Glória"

Sussurro aqui o título.
Shhsttt... Fica entre nós.
FEIRA DO LIVRO

Como diria o meu amigo B.B.: "Bom, isto passou-se..."
Não dei pela programação cultural. Muito menos pelo país convidado (que tem uma literatura cada vez mais forte e variada). Nos dois casos, é pena.
Alguém escrevia, ontem, num jornal, que já não há pachorra para ler o que se diz sobre as feiras do livro. E, contudo...
O facto é, que me lembre, a única que teve um sucesso claro, foi a organizada pela Clara Ferreira Alves e a casa Fernando Pessoa. As últimas, coordenadas por gente com mérito e que estimo, foram ou elitistas, ou pura simplesmente desinteressantes. Este ano, nem ninguém deu por nada. Estou a falar de Lisboa. No Porto, não sei.
Há qualquer coisa de festa entre os apreciadores de livros que não aconteceu. Sim, compraram-se alguns. Sim, os jacarandás continuavam em flor. E sim, nós, os autores, já temos umas cadeirinhas mais confortáveis do que as plásticas do AKI com que nos costumavam brindar.
Mas ainda não se encontrou a fórmula que reúna um grande número de visitantes, a aproximação entre quem escreve e quem lê e a possibilidade de promover debates e lançamentos que interessem às pessoas.
Já não há pachorra, nisso a senhora tem razão, mas muitos de nós, sentimos que as feiras do livro são cada vez mais oportunidades perdidas.

6 de junho de 2006

permitam-me que repita um post antigo. estava a pensar em literatura e não me ocorre nada melhor



"
O SILÊNCIO
Porque é que os melhores do mundo são geralmente os que menos se ouvem?
Deve ser pela mesma razão que as plantas saem da terra em silêncio..."

5 de junho de 2006

FEIRA DO LIVRO

Falta-me o tempo, para o que costuma ser o meu viciante hábito de subir e descer as ruas de quiosques livrescos.
Estou a ver que só dia 11 é que me organizo para lá estar.
(Suspiro)
Vida de escritor/pintor de casas é dura...
A IMPORTÂNCIA DE SE CHAMAR FUTEBOLISTA

"Arrogantes de merda" é a expressão que me vem à cabeça quando vejo as estrelitas da seleccão nacional passar em velocidade de cometa, a cara fechada, em frente da multidão de emigrantes que se deslocou para os apoiar. Alguns fizeram centenas de quilómetros para ver de perto um bocadinho de "Portugal". Qualquer pessoa que não fosse uma besta malcriada teria percebido que aquela multidão não é a mesma que está à porta do estádio nacional. É gente fragilizada pela distância; gente que ama mais o país do que nós que estamos em cima dele e só lhe vemos os defeitos. Custava alguma coisa abrandar, sorrir e agradecer o carinho que lhes estavam a oferecer? Parece-me que não.
Se os nossos internacionais, com os seus salários milionários e as suas roupas e carros de milhões querem armar em estrelas, então aprendam com as de Hollywood. No meio da multidão, não há nenhuma que não pare para cumprimentar os fãs, deixar que levem uma rápida foto para casa e a ilusão de terem roçado o sonho. Os nossos, não. Emigrantes dourados, quase todos, tratam os outros emigrantes como um monte de lixo que foi ali porque quis...
Não é bonita, a expressão, mas "arrogantes de merda" é a que melhor serve esta equipa.